Muitos casais evitam a separação por temerem a solidão.
Nossa sociedade estimula a dependência entre as pessoas. Desde sempre vivemos inseridos num núcleo familiar ou em alguma estrutura substituta, onde nos sentíamos pertencentes e protegidos, por pior que ela fosse. A questão é que éramos dependentes, portanto, sem condições de ficarmos sozinhos. Hoje, depois de adultos, continuamos a associar à vida em família toda a sensação de proteção e segurança: e, à vida solitária, todo o medo e todo o abandono.
Acontece que, em determinados momentos, deveríamos estar capacitados para atos de plena autonomia. E não estamos. É o caso da situação conjugal cheia de brigas e desacertos.
Precisaríamos ter condições para passar um certo tempo sozinho, independentes, nos bastando, capazes de diálogos interiores, meditação e reflexão até para entender em profundidade porque as coisas se encaminharam dessa forma.
Infelizmente, a simples ideia de nos encontrarmos isolados num quarto de hotel já nos provoca pânico. E ficamos presos ao emaranhado complexo em que se transforma a vida conjugal cheia de atritos.
Quando estamos sozinhos e longe da situação de conflito, temos oportunidade para refletir melhor e fazer uma autocrítica mais correta, ganhando novas forças antes de tomar decisões radicais e definitivas.